Encontros e Desencontros
Por Isabel Perides
Isabel permanece só.
Não há mais vozes.
Nem mestres.
Nem perguntas respondidas.
Apenas…
um fio de pensamento
que insiste.
…
Lembra-se de tudo.
Da ciência que não responde.
Da política que exige escolha.
Do amor que não se possui.
E agora…
dos encontros.
…
Ela fecha os olhos
e, como quem escuta algo antigo,
começa a dizer para si:
…
Há encontros
que não pedem licença.
Chegam…
e mudam a direção da vida
sem anunciar.
…
Há desencontros
que parecem perda…
mas são apenas caminhos
que ainda não compreendemos.
…
Penso na política…
não como teoria,
mas como travessia.
Não como certeza…
mas como escolha que pesa.
…
Porque agir
é aceitar que nem todos ficarão.
Que nem todos concordarão.
Que nem todos caminharão juntos.
…
E ainda assim…
seguir.
…
Há encontros
que constroem.
Outros…
que desfazem.
…
Mas ambos
nos atravessam.
…
E talvez seja verdade:
"o universo sempre conspirou para que determinados encontros ocorressem propositalmente no sentido de construir ou transformar histórias, assim como, destruí-las ou simplesmente modificá-las."
…
Isabel respira fundo.
…
Então entende:
A política
também é feita desses encontros.
De vozes que se cruzam.
De caminhos que se chocam.
De histórias que se entrelaçam…
ou se rompem.
…
Nem todo encontro une.
Nem todo desencontro separa.
…
Mas todos…
de alguma forma,
nos mudam.
…
E talvez
o mais difícil não seja escolher um caminho…
…
mas aceitar
que cada escolha
é também
um encontro que deixamos de viver.
São Paulo, 02 março de 2026.
Isabel Perides
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