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domingo, 15 de março de 2026

 Segundo diálogo

Caminhávamos pelas pedras antigas quando o mestre Mileto diminuiu o passo. O silêncio parecia acompanhar nossos passos entre as ruínas, e o vento que passava entre as colunas carregava um ar de melancolia.

Mileto: Minha pupila, percebo algo em seu semblante. Caminhas comigo, mas teu espírito parece distante.
Isabel: Perdoe-me, mestre.
Mileto: Não perdão a pedir. Mas como teu mentor, aprendi a reconhecer quando tua mente está inquieta. Diga-me, estás triste?
Isabel: Sim, mestre. É verdade.
Mileto: E o que pesa em teu coração?
Isabel: A justiça… e também a injustiça.
Mileto: Explique melhor, minha pupila.
Isabel: Observo o mundo, mestre, e vejo homens falando de justiça enquanto praticam injustiça. Vejo leis que deveriam proteger, mas às vezes parecem ferir. E começo a me perguntar se realmente sabemos o que é a justiça.
Mileto: Uma pergunta digna de um espírito filosófico.
Isabel: Mas quanto mais penso, mais confusa fico.
Mileto: Isso não é um defeito, Isabel. Pelo contrário. A confusão muitas vezes é o primeiro passo para a sabedoria.
Isabel: Então o que devo fazer, mestre?
Mileto: Quando uma pergunta é grande demais para um único pensamento, devemos procurar aqueles que dedicaram a vida a investigá-la.
Isabel: Quem poderia nos ajudar?
Mileto: Dois homens que transformaram essas perguntas em diálogo filosófico: Sócrates e seu discípulo Platão.
Isabel: Os autores do grande debate sobre justiça?
Mileto: Exatamente. No primeiro livro de A República, Sócrates conversa com vários homens tentando descobrir o que realmente é a justiça.
Isabel: E eles chegaram a uma resposta?
Mileto: Chegaram, antes de tudo, a algo ainda mais importante: perceberam que muitas das definições comuns de justiça eram frágeis.
Isabel: Então o caminho é o diálogo.
Mileto: Sempre. A filosofia nasce quando duas mentes procuram juntas a verdade.
Isabel: Então iremos encontrá-los?
Mileto: Sim, minha pupila.
Isabel: Onde?
Mileto: Na ágora de Atenas, onde tantas conversas começaram.
Isabel: Estou pronta para ouvir o que eles têm a dizer.
Mileto: Então caminhemos, Isabel. Pois quando a alma está inquieta com a injustiça, o melhor remédio é procurar a sabedoria.

Isabel Perides 

(São Paulo, 08 de março de 2026)

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